A médica cirurgiã pediátrica cabo-verdiana Cármen Leite, que trabalha em Fortaleza, publicou um texto em que alerta para os riscos éticos da exposição pública de crianças com doenças graves. Tomando como referência o caso de uma criança com osteossarcoma, Leite sublinha que a transformação da dor em espectáculo pode gerar falsas esperanças, desinformação e promessas sem base científica, e que isso compromete a relação de confiança entre famílias e profissionais de saúde. A médica defende que o cuidado inclui dizer a verdade e preservar a dignidade do doente, e que há limites que não devem ser ultrapassados mesmo perante ondas de solidariedade. No seu texto, Leite evoca também episódios em Cabo Verde, como o caso Dário, para ilustrar o dilema entre mobilização pública e instrumentalização do sofrimento.