Foi lançada em Cidade da Praia uma edição facsimilada do livro Os Rebelados da Ilha de Santiago, de Júlio Monteiro Júnior, que recupera um relatório confidencial produzido entre 1962 e 1964 e publicado pela primeira vez em 1974, após o 25 de Abril. A obra, apresentada na Livraria Pedro Cardoso, analisa documentalmente a comunidade conhecida como Rabelados, que o estudo identifica como movida sobretudo por convicções religiosas e não por motivações políticas. O texto descreve a resistência às reformas levadas pelos missionários católicos na década de 1940, a recusa à pulverização das habitações nas campanhas de erradicação da malária — que levou famílias a vivirem em “funcos” — e episódios de repressão colonial, incluindo detenções, julgamentos e deportações. O autor estimava então cerca de 2.000 indivíduos com esse estatuto em Santiago, embora reconheça que a mesma mentalidade podia estender‑se a milhares de pessoas. O responsável pela edição, Mário Silva, considera a reedição um documento de elevado valor histórico, antropológico e jurídico e anuncia apresentações futuras no interior da ilha para estimular o debate sobre história e identidade nacional.