Um estudo propõe uma matriz analítica bidimensional de doze quadrantes para avaliar a qualidade da democracia, articulando duas dimensões complementares: a institucionalidade democrática e a eficácia distributiva. O modelo critica o reducionismo procedimental que privilegia apenas eleições e instituições formais e insere indicadores de justiça social e capacidades humanas para medir a conversão de direitos formais em bem‑estar material. Propõe operacionalizar os dois eixos com índices reconhecidos (V‑Dem, Democracy Index, Freedom House) e métricas distributivas (Gini, pobreza multidimensional, despesa social, IDH), combinando análise quantitativa e qualitativa. O autor exemplifica aplicando a matriz a casos nacionais: Cabo Verde é colocado no quadrante 5 (democracia em equilíbrio frágil), Portugal no quadrante 4 (democracia socialmente responsável) e a Suécia no quadrante 1 (democracia justa e inclusiva). A proposta serve tanto como ferramenta de diagnóstico — para mapear trajetórias e identificar gargalos — como de prescrição política, indicando que a consolidação democrática exige avanços simultâneos nas instituições políticas e nas políticas redistributivas.