A farinha-de-pau, feita a partir da mandioca, volta a ganhar protagonismo em São Nicolau e assume-se como símbolo cultural ligado à identidade sanicolauense e cabo-verdiana. Investigadores locais, como José Joaquim Cabral, documentam a presença da mandioca na ilha desde o século XVIII e sublinham o papel desta raiz na resistência às secas e na segurança alimentar. Hoje, a cultura da mandioca estende-se do sequeiro ao regadio e há um renovado interesse pela produção, com participação crescente de jovens. Ao mesmo tempo, produtores alertam para a escassez de mão de obra e para o risco de perda de saberes tradicionais, o que está a motivar propostas de mecanização — desde raladoras a trituradoras — para tornar o fabrico mais viável. Especialistas salientam, porém, que as máquinas dificilmente recuperarão o ambiente social e os empregos gerados pelas práticas manuais tradicionais.