João do Rosário, que vive há cerca de nove anos com um rim transplantado, saudou o primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde como um ganho para o país, mas apelou à criação de uma estrutura sólida de acompanhamento clínico. Em declarações à Inforpress na Praia, o jornalista disse que o sucesso do transplante não depende apenas da cirurgia, exigindo equipas multidisciplinares — nefrologistas, cirurgiões, urologistas — e uma logística capaz de assegurar o seguimento permanente dos doentes. Relatou ter sido obrigado a deslocar‑se a Portugal para hemodiálise e sublinhou o impacto desta terapia na qualidade de vida, contrapondo‑o ao “renascimento” permitido pelo transplante. Alertou para a necessidade de medicação contínua, vigilância para infeções e rejeição e para restrições no dia a dia dos transplantados. Defendeu também a criação de um sistema de doação e colheita de órgãos semelhante ao português, assente em legislação e em campanhas de sensibilização, e pediu investimento em formação, equipamentos e cooperação internacional para consolidar o avanço.