O capitão Ibrahim Traoré, líder da junta que assumiu o poder em Burkina Faso em setembro de 2022, afirmou que a população deve "esquecer" a democracia e afastou a hipótese imediata de eleições. Traoré disse, numa intervenção televisiva, que a sua administração está concentrada noutras prioridades e justificou o adiamento com a insegurança provocada por insurreições islâmicas, argumentando que a democracia "não é para nós" e que "matar" seria um risco. Desde o golpe, a junta dissolveu a comissão eleitoral, suspendeu as atividades de todos os partidos políticos e proibiu ou restringiu meios de comunicação, tendo mesmo expulsado jornalistas estrangeiros. O executivo tem mostrado hostilidade para com países ocidentais, em particular França. As decisões alimentam receios de que o regime pretenda permanecer no poder a longo prazo.