Passageiros retidos em aeroportos e mercadorias bloqueadas em portos de Cabo Verde evidenciam um desfasamento entre o investimento em infraestruturas e a gestão logística necessária para traduzir essas obras em ganhos económicos. Apesar do esforço financeiro nas obras, o valor real depende de operacionais que garantam fluxos inter-ilhas previsíveis e de baixo custo. Uma gestão orientada para resultados reduziria perdas de inventário, optimizaria custos para empresários e agricultores em ilhas como São Vicente e Santo Antão e facilitaria o acesso ao crédito por maior segurança nas entregas. A circulação fluida de bens e pessoas também potenciaria as remessas da diáspora, aproximando receita externa do consumo interno e aliviando um “imposto” implícito causado por falhas logísticas. O diagnóstico aponta que a infraestrutura física existe, mas é subutilizada por deficiências de gestão, e alerta para o risco de uma década de análises sem execução. A urgência passa por priorizar resultados operacionais que tornem eficazes as ligações entre ilhas e beneficiem a economia local.

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