As eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde ficaram marcadas por uma taxa de abstenção excepcionalmente alta: 51,2%, segundo análises publicadas, um valor superior à percentagem que assegurou a vitória ao PAICV (cerca de 47%). O fenómeno insere-se numa tendência de crescimento da não participação que já tinha registado 42,2% em 2021 e cerca de 49,8% nas autárquicas de 2024. Especialistas e comentadores apontam vários fatores: desinteresse e falta de informação política entre os jovens, dificuldades logísticas e de recenseamento devido à mobilidade interna entre ilhas, desgaste moral da política e perceções de que os partidos não representam os problemas reais dos cidadãos. As equipas da Comissão de Recenseamento Eleitoral (CRE) realizaram ações de sensibilização em todas as ilhas, mas persistem lacunas no conhecimento dos procedimentos de transferência de mesa e no recenseamento. Há propostas para modernizar o processo — incluindo soluções digitais de votação — e vozes que, como a deputada Mircéa Delgado, defendem maior autonomia parlamentar e a possibilidade de sistemas mistos com deputados independentes. O quadro acende um alerta sobre legitimidade e a necessidade de recuperar confiança e mobilização cívica.