A Organização das Nações Unidas qualificou a escravidão como um crime contra a humanidade e uma norma jus cogens, abrindo caminhos jurídicos e políticos para reclamações de reparação. Em Cabo Verde, o Executivo instituiu o Comité Nacional da “Rota do Escravo”, uma resposta institucional ao apelo internacional para promoção da memória e inclusão das populações locais. Especialistas alertam, porém, para a escassez de investigação nacional sobre raça e classe na formação da sociedade cabo-verdiana e para a prevalência de narrativas que enfatizam a morabeza e a mestiçagem em detrimento da experiência dos escravizados. A elevação da Cidade Velha a património mundial da UNESCO é apontada como oportunidade para uma museografia crítica centrada nas resistências africanas e nas continuidades raciais do pós‑escravidão. Académicos defendem que só uma conjugação de investigação, ensino, políticas de memória e medidas de reparação poderá confrontar desigualdades estruturais e construir uma agenda de justiça transgeracional em Cabo Verde.

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