Testemunhas sobreviventes recordam os confrontos ocorridos na cidade da Praia em 19 de maio de 1974, quando a polícia política portuguesa (PIDE) abriu fogo para reprimir manifestações contra o colonialismo. Olinda Tavares Silva Moreira (Dona Liloca) e o marido Indalécio Gualberto Antunes (Leci) descrevem a correria, os disparos e o medo que se instalou nas ruas do Platô, Fazenda e Ponta Belém. Naquele contexto, jovens ligados ao PAIGC organizavam-se clandestinamente e a vigilância da PIDE era constante. Muitos participantes foram feridos, perseguidos ou detidos; famílias esconderam perseguidos e prestaram apoio aos presos. O episódio é hoje lembrado como marco da luta anticolonial em Cabo Verde e foi eleito como referência para o Dia do Município da Praia. A memória desse dia inclui também homenagens posteriores, como a distinção recebida por Dona Liloca em Luanda em 1980.