A poucos dias das eleições legislativas, um editorial alerta para o risco de abstenção elevada em Cabo Verde e explica por que esse fenómeno pode distorcer a representação parlamentar. O texto sublinha que o sistema eleitoral, organizado por círculos eleitorais, torna a participação local decisiva: abstinências desiguais entre circunscrições podem produzir um parlamento que não reflecte a vontade global do país. O autor recorda a tradição democrática cabo-verdiana e apela à participação cívica como instrumento de legitimidade e resistência contra a erosão democrática. Citam-se referências históricas a Aristóteles, Péricles, Abraham Lincoln e Winston Churchill para reforçar a ideia de que a democracia se mantém viva pela participação dos cidadãos. O editorial rejeita um apelo partidário directo e insiste que a abstenção não é neutra — é uma escolha com consequências políticas —, e conclui que preservar a qualidade da democracia exige que os eleitores compareçam nas urnas, mesmo diante da desilusão.