Ao celebrar meio século de relações diplomáticas com a China, Cabo Verde reconhece um legado visível de infraestruturas, apoio à saúde, educação e habitação social. A cooperação chinesa continua com acordos recentes de 200 milhões de yuans (2025) e 100 milhões de yuans (2026) e ajuda anual na ordem de dezenas de milhões de dólares. Contudo, analisa-se que a ajuda, por si só, não garante transformação económica: o Banco Africano de Desenvolvimento estima uma necessidade anual de cerca de 163 milhões de dólares até 2030 apenas para infraestruturas e energia. O comentário sublinha a assimetria comercial com a China (exportações chinesas para Cabo Verde de 113,9 milhões de dólares em 2024, enquanto as exportações cabo-verdianas são quase inexistentes) e aponta constrangimentos internos — elevado peso da despesa corrente, massa salarial próxima de 10% do PIB, serviço da dívida e execução insuficiente da despesa de capital — que limitam a capacidade de investir no futuro. O texto defende que os próximos anos terão de passar da lógica da ajuda para uma estratégia exigente, orientada para diversificação, industrialização e atração de investimentos que tornem a parceria mutuamente vantajosa.

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