A condenação do deputado Amadeu Oliveira a sete anos de prisão, perda de mandato e interdição política trouxe à tona críticas sobre o funcionamento das instituições em Cabo Verde e uma alegada "máquina do silêncio". A decisão judicial, que segundo documentos incluiu a omissão de 24 pontos de facto por um alegado "erro informático" na reformatação do acórdão, suscitou perplexidade entre juristas e sociedade civil. O Parlamento tentou criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para fiscalizar o caso, mas a resolução foi declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, que alertou para a separação de poderes. Mais de 500 cidadãos subscreveram uma petição reclamando esclarecimentos, que foi indeferida liminarmente pelo Presidente da Assembleia Nacional. Analistas e vozes críticas interpretam estes episódios como sintomas de uma cultura de medo institucional que condiciona a transparência, a participação cívica e o escrutínio público.