Vinte anos depois de um tribunal, em dezembro de 2006, ter reconhecido o violinista Armando Soares como autor da morna “Sodade”, a família não recebeu qualquer compensação e a canção continua a gerar rendimentos para terceiros. O jornalista sueco Henrik Jönsson retrata o caso no livro “Saudade” (Penguin), descrevendo a composição da morna em 11 de maio de 1954, numa mercearia da Praia Branca, ilha de São Nicolau, e relatando o percurso judicial que culminou na decisão. Apesar do reconhecimento jurídico, os direitos registados em França — e a atribuição de percentagens a figuras como José da Silva (detentor de 12,5% dos direitos) e Amândio Cabral — mantêm pagamentos a quem não foi declarado autor. Familiares de Armando Soares confirmaram não ter recebido qualquer montante retroactivo; a situação é comparada, no livro, a casos internacionais de autores privados de royalties. Jönsson critica também o silêncio mediático em torno do processo e defende que os descendentes deveriam ser ressarcidos.