A cinco décadas da independência e em vésperas de eleições nacionais, o debate sobre a regionalização volta à agenda como resposta às fortes assimetrias territoriais e à concentração administrativa em Santiago. Um estudo/ensaio defende a criação de quatro regiões administrativas alinhadas com as divisões geográficas do arquipélago — duas no Barlavento e duas no Sotavento — e a transferência efetiva de competências e recursos do poder central para níveis regionais. O texto aponta a Diretiva Nacional do Ordenamento do Território (DNOT) como quadro legal de referência e sublinha que a medida visa melhorar a coesão económica e social, reduzir desigualdades no acesso a serviços e infraestruturas e promover maior participação cívica. A proposta inclui agrupamentos específicos de ilhas (Santo Antão/São Vicente/São Nicolau; Sal/Boa Vista; Maio/Santiago; Fogo/Brava) e defende um equilíbrio entre descentralização e sustentabilidade financeira.